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domingo, 8 de maio de 2011

BOLA CHEIA

Grupo acerta no faro

APS aborta plano A, aciona plano B e transforma pedalada num dos melhores passeios do grupo. Só no faro! Assim, como quem não quer nada, mas ganha tudo, inclusive a satisfação do pequeno grupo que se arriscou a levantar da cama quentinha num dia chuvoso de quaaaaaase inverno brabo. Com cara de preguiça, o pessoal saiu da Jaqueira às 8h, não sem antes entregar o vale-revisão e o vale-foto a duas representantes femini
nas, em comemoração ao Dia das Mães. E lá se foi o APS, perninhas cansadas, boquinhas bocejantes, uaaaaaau, que sono! Passou pela Torre, Iputinga, Cidade Universitária. Foi aí que o coração começou a esquentar e a musculatura a corresponder simultaneamente. Enfim, o grupo saía da moleza e dava vez ao jeitinho apessiano de ser (rsssssss). Dezenove pessoas fizeram as primeiras poses, em perfeita sintonia, no laguinho do Cavouco, do campus universitário federal. Laguinho é só maneira de dizer e lembrar os tempos de seca. Agora, é riachão, invadiu praça, inundou grama e transformou mesas e bancos em ilhas isoladas, logo invadidas pelos ciclistas. Milton virou budista, Yara tirou um cochilo de garoa e ainda trouxe o jacaré do Cavouco na sola do tênis.

Passagem rápida pelo
campus, chegou a vez da água de coco na praça da Várzea, com direito a espetinho de fumaça de asinha. Ui! Foi aí que o povo começou a pensar que o passeio estava terminando. Menino, que engano. Foi um tal de entrar e sair em ruelas, vielas, poças, lama e buracos da Nova Caxangá, Dois Irmãos, Serra Pelada, Apipucos, Monteiro, Poço da Panela, Santana e Jaqueira. Como nem tudo é perfeito, o rio Capibaribe continua imundo; os buracos do Recife dão cria; a lama é desagradável a quem convive com ela. Pelos altos e baixos, o passeio foi uma caixinha de surpresa. Sim, gente! Por falar em surpresa, havia um caminhão em frente ao Parque da Jaqueira, em comemoração aos 125 anos da Coca Cola. Bastava apertar um botão bem grande e você era contemplado com uma latinha de coca e um boné de aniversário ou então com um pirulitão bem coloridão e grandão (rssssss).

domingo, 20 de março de 2011

PONTES

Passeio tranquilo pelas pontes do Recife

A mídia havia anunciado que domingo 20 de março seria o dia mais quente do ano na capital pernambucana. Tudo por causa de um fenômeno astronômico chamado "equinócio", que ocorre a cada seis meses, quando o sol toma uma posição perpendicular à Terra. O calor seria em torno de 32º e a sensação térmica poderia chegar aos 36º. Honestamente? Nem todo apessiano sentiu esse tal de Equinócio passar. Talvez porque o recifense já esteja acostumado a grudar a camisa no corpo através do suor (rsssss) e a tomar muita água. O fato é que o passeio pelas pontes do Recife foi tranquilo apesar das três quedas e uma quebra. O pessoal estava alegre desde a saída, no Parque da Jaqueira, mantendo-se compacto nos seus 77 ciclistas participantes. O roteiro foi meio que circular, tudo para atender a legislação de transitar sempre pela "mão" (rssssss). Mas deu tudo certo. A foto oficial foi feita numa das áreas mais bonitas do Recife Antigo - aos pés do obelisco doado por Portugal pelos 350 anos da Restauração Pernambucana. Com 10 metros de altura, 20 toneladas, instalado no Cais da Alfândega, entre a Livraria Cultura e a Ponte Doze de Setembro, mais conhecida como Giratória, embora não gire mais (rsssss), o obelisco está ali desde março de 2006. Na foto acima, nesse montão de gente de capacete, luvas e outros paramentos, como sempre havia novatos, voltandos e veterenos. Entre eles, o HD se lembra de Trick, Marcílio, dois netos de Deorge e aquele casal, ela, Jéssica. HD com muito uso é assim, fica falhando (rssss). Tóim, tóim, tóim (hd martelando), ah, também de volta o grande homem Zé Pequeno e Júnior, amigão do peito.

E o grupo passou por um bocado de ponte, testemunhou a degradação do rio Capibaribe e constatou um centro de cidade imundo. Recife não merece isso, nem das autoridades, nem de seus próprios moradores que jogam lixo nas ruas, fazem xixi escondidinhos pelo poste (pensam que a gente nem tá vendo), entopem o rio com garrafas pet e outros apetrechos. Qualquer área do Capibaribe é um ótimo lugar pra pescar latrina, pneu, saco plástico (azul ou preto, tanto faz) e até orelhão, menos peixe pra sobrevivência do ribeirinho. A ponte da Boa Vista, que liga as ruas da Imperatriz à Nova, infelizmente estava interditada e não pode ser vista mais de perto. Uma das mais bonitas do Recife, é também a segunda mais antiga (1876) e mantém sua estrutura em ferro inglês. Bem, nem tudo ficou nas pontes e rios. O APS fez aquela paradinha básica pra hidratação e degustação, sabe onde? No Mercado da Boa Vista, onde o grupo fez a feira e a farra. Apesar de tudo, a programação foi leve pra ninguém reclamar do passeio do próximo domingo, dia 27, quando o APS faz o longão do mês. Aí, sim, mesmo que esteja do outro lado do mundo, é bem capaz de "seu" Equinócio aparecer fazendo aquele calorão (rsssssss).

domingo, 1 de fevereiro de 2009

AONDE FOMOS 01.02.09

APS desce ladeira da "Fralda"

No primeiro passeio oficial do ano, a coordenação do APS ofereceu ao grupo um prato de sopa cheio de adrenalina: subida ao Morro da Conceição com descida pela ladeira que Jean apelidou de Ladeira da Fralda. Pelo nome já dá pra imaginar que sem fralda descartável o ciclista correria o risco de se "borrar" todinho de medo.

Com saída do Parque da Jaqueira, no horário marcado, 50 ciclistas deram presença pelos bairros da Torre, Santana, Poço da Panela, Casa Forte, Monteiro, Apipucos, Macaxeira, Casa Amarela, Morro da Conceição, Córrego do Euclides, Linha do Tiro, Beberibe, Água Fria, Arruda, Rosarinho enfim...Jaqueira, completando 27km rodados.


A primeira novidade foi a passagem pela Comunidade da Angélica (foto acima), entre Torre e Santana. O diferencial são suas ruas em zique-zague e os jardins, ainda em construção, às margens do Capibaribe. A segunda novidade, não para todos, apenas para os novatos, foi a localidade conhecida por Serra Pelada, na Macaxeira, formada apenas por uma rua estreita, embora de mão-dupla.

Bom, de Serra Pelada ao Morro foi um pulo...oh, desculpe...umas poucas pedaladas. Todos subiram de bike (foto abaixo) - alguns montados, outros empurrando (rissssssssss). O importante é que subiram, hein Nena? Apenas um amigo, que teve um pequeno problema de saúde, precisou interromper o passeio, mas logo logo estará de volta ao convívio apessiano.


No Morro da Conceição, a parada programada para um guaranazinho aqui, uma aguinha acolá, as famosas fotos para o álbum do APS e até para um beijo abençoado. Ah, meu Deus, é capaz desse povo apaixonado nem ter ouvido a orientação do guia. Beijar pode, o que não pode é descer sem fralda. Ainda bem que o padre, em horário de missa, fez uma referência à passagem dos ciclistas. Foi bem lembrado "seu" padre, a bênção protegeu a todos, inclusive os que estavam muiiiiiiiiiiiiito ocupados. Foto abaixo.

Dos 50, apenas dois desceram sem descartável. Certamente, porque tinham certeza de que chegariam sãos e salvos. Os outros 48 preferiram dar ouvidos às recomendações dos moradores - "cuidado", "cuidado", "cuidado, moço". Olhe, só pra você ter uma ideia, a fotógrafa quase que rola ladeira abaixo só porque sentou no chão. Há testemunhas.
Beijar é bom, por isso repeti a foto. Clique nesta para ver as outras

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

AONDE FOMOS 22.12.08

Esculturas fecham ano APS
Ano findo, missão cumprida. Assim se sente o APS ao encerrar 2008 com mais um passeio cultural. As 12 esculturas de escritores, expostas no centro da cidade, fecharam o ciclo com 70 participantes e 22km percorridos sem problemas. Na verdade, o grupo deixou de ver a estátua de Manuel Bandeira, última prevista, porque parte da Rua da Aurora, onde o monumento se localiza, estava fechada para competição. Foram 11, portanto.
Foi um dia cheio para o APS. Tudo começou com o sorteio da bicicleta, ainda no Parque da Jaqueira. Melânio foi o sortudo da vez, levando uma Zumi 18 marchas. A foto, fez questão de tirar com o filho, companheiro de tantas pedaladas. Ainda sorridente, Melânio participou do roteiro de esculturas que começou com a ucraniana Clarice Lispector. De texto profundo, tão misterioso quanto a própria autora, Clarice era também jornalista e se dizia mais intuitiva que inteligente. Foto abaixo, ao lado da foto de João Cabral de Melo Neto.














Autor de "Morte e Vida Severina", João Cabral é considerado um dos poetas mais inteligentes. "Morte e Vida..." conta a história do retirante Severino que sai do sertão em busca de uma vida digna no litoral. Levada ao teatro e à telinha, a obra tem músicas de Chico Buarque. Cão sem Plumas é um de seus melhores poemas, inspirado no Capibaribe.

O grandalhão Ascenso Ferreira, modernista, aquele do "Hora de dormir, dormir; hora de comer, comer; hora de vadiar, vadiar; hora de trabalhar, pernas pro ar que ninguém é de ferro" também recebeu visita do APS. Só se esqueceu de dizer "hora de pedalar; pedalar". Depois dele, o precoce Chico Science, estava lá na Rua da Moeda, bem a caráter como criador do movimento manguebeat, uma mistura de ritmos e instrumentos. E lá se foi o APS atrás de Antônio Maria, o boêmio que escrevia canções dor-de-cotovelo, como "Ninguém me ama" interpretada por Maísa. Cardiopata, ele mesmo se denominava um cardisplicente de profissão esperança. Veja Ascenso, Chico e Antônio Maria (beijado por Maria), nas fotos abaixo.
Também visitado pelo APS, Joaquim Cardozo é, hoje,conhecido e aclamado pelos críticos, como um dos melhores poetas da língua portuguesa do século XX. Mas nem sempre foi assim. Tinha 50 anos quando publicou seu primeiro livro. Como temas prefridos, foi fiel ao Recife e ao Nordeste. Sua escultura em concreto polido está na Ponte Maurício de Nassau. Depois de Joaquim, o grupo passou por Carlos Pena Filho, na Praça do Diário, antes conhecida como Praça da Independência. À mesa, a estátua representa "O Chope", poema mais famoso "em que nos convida a um trago de reflexões". Seguindo caminho, o grupo chegou ao Pátio de São Pedro, onde está a escultura do poeta, cineasta e teatrólogo Solano Trindade. Interessante notar que a imagem está montada num tambor de maracatu, que serve de palco para recitais. Negro e pobre, Solano foi defensor de causas afro-americanas. No Largo do Sebo, bairro de Santo Antônio, encontra-se a figura de Mauro Mota. Embora advogado, preferiu se dedicar ao jornalismo. Na foto abaixo, veja os três citados neste parágrafo.


E, finalmente, o APS encerrou o passeio ciclístico passando por Capiba, nascido em Surubim e que adotou Recife como cidade para viver, onde permaneceu até a morte. Compositor de frevos, amou o Recife como poucos. Lourenço Barbosa, nome verdadeiro, levava o apelido de família - Capiba, que significa jumento, pequeno e emburrado. Da Rua do Sol, onde Capiba se mostra à cidade, o grupo seguiu para a Estação Central do Metrô. Ali, bem em frente, está a escultura do compositor de Asa Branca. Com uma sanfona, ao lado de um triângulo e uma zabumba, a estátua de Luiz Gonzaga homenageia o artista que primeiro e mais divulgou a música nordestina.

Do roteito programado, o APS não pôde cumprir a visita ao poeta Manuel Bandeira, na Rua da Aurora. Numa escultura composta por um portal, Bandeira está lendo o livro "Evocação". Leia o poema abaixo e, ao lado, veja as fotos de Capiba, Luiz Gonzaga e Edvaldo. Edvaldo é o artista múltiplo, pintor, escultor, poeta e, ainda por cima, ciclista do APS. Recebido pela simpatia da família, foi na casa do artista que o grupo concluiu o passeio.


Rua da União...


Como eram lindos os nomes das rua da minha infância
Rua do Sol (Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
... onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
... onde se ia pescar escondido
Capibaribe-Capibaribe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro
alumbramento

Manuel Bandeira